A 5G será vital para a economia digital

Entrevista com Isabel de Ávila, Consultora Especialista em Regulação de TIC

Os países da América Latina trabalham diariamente para avançar em direção a economia digital permitindo assim o melhor enfrentamento do processo pós-pandêmico aumentando seu  crescimento e produtivamente. Nesse sentido, torna-se fundamental a contribuição das tecnologias da informação e comunicação (TIC), bem como a geração de políticas públicas que ampliem sua adoção.

Isabel de Ávila, Consultora Especialista em Regulação de TIC

O Brecha Zero discutiu essas questões com Isabel de Ávila, que é consultora especialista em regulação das TIC. Formada como advogada, possui mestrado em direito econômico especializado em regulação de telecomunicações, direito tributário e administrativo pela Universidad Externado de Colombia.

Brecha Zero: Quanto as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) ajudaram a economia colombiana a superar as complicações associadas à pandemia?

Isabel de Ávila: As TIC têm sido fundamentais para alcançarmos a reativação econômica do nosso país. Sem dúvida, as TICs desempenham um papel de liderança no posicionamento, consolidação e crescimento das estruturas econômicas da Colômbia em todos os setores e em todas as indústrias. O plano de expansão da internet, os desafios no fortalecimento das redes, expansão de cobertura, promoção de novas tecnologias e o uso e implementação de ferramentas digitais, como o domínio .CO, têm sido relevantes para definir as diretrizes que levam à construção de estruturas fortes e sólidas, mas ao mesmo tempo adaptável às mudanças que ocorrem no mercado.

A internet das coisas, e-commerce, marketing digital e automação permitiram que o comércio eletrônico crescesse aproximadamente 44% e as transações online aproximadamente 79% na Colômbia no primeiro trimestre de 2020 (dados do Ministério das TIC).

A organização internacional do trabalho revelou que até 2020, cerca de 34% das empresas da América Latina aumentaram ou iniciaram o uso da internet, redes sociais, plataformas digitais e 17% das empresas investiram em novos equipamentos, softwares ou soluções digitais em resposta à pandemia, garantindo a continuidade da prestação de seus serviços e da comercialização de seus produtos. Isto evitou, sem dúvida, um maior retrocesso nos índices de empregabilidade dos países e em grande medida foi possível satisfazer as necessidades dos cidadãos, durante aquele período de confinamento total.

Para o setor audiovisual, mesmo com a impossibilidade que esta indústria apresenta aparentemente para trabalhar em casa – teletrabalho ou trabalho remoto – a pandemia significou uma total reinvenção, graças às tecnologias de informação e comunicação, que criaram as condições para a produção de projetos audiovisuais, reduzindo custos e tempo.

O setor do turismo foi outro exemplo significativo de como as tecnologias ajudaram a resolver as complicações associadas à pandemia. Essas ferramentas permitiram que consumidores e usuários pudessem ter acesso a diferentes lugares ao redor do mundo, com diferentes pessoas diretamente de nossas casas, durante o confinamento. Experiências virtuais que para muitos significaram novas formas de lazer, mas também para muitos, novas oportunidades de trabalho.

Brecha Zero: Quais setores fizeram o melhor uso da digitalização para lidar com os problemas gerados pela Covid-19?

Isabel de Ávila: Telecomunicações e serviços postais, dois setores que prestam serviços essenciais, com componentes de alta tecnologia. Segundo o jornal El Colombiano, em 2020 houve um incremento das estações de base de serviço móvel passando de uma média de 22.390 em 2019 para 22.925, crescendo o número de acessos em pouco mais de 24 milhões neste mesmo ano. Os serviços postais cresceram 2,9% a mais em 2020. A SuperGiros, empresa 100% colombiana, que faz parte do setor de ordem de pagamento, em confinamento total, conseguiu atender aproximadamente 1 milhão de colombianos por semana, cerca de 4 milhões de usuários no mês e diretamente pelo seu APP 450 mil clientes, garantindo assim a prestação ininterrupta do serviço.

Ao criar os espaços necessários por meio da tecnologia para atender a oferta e a demanda durante a pandemia, esses setores conseguiram manter seus negócios operando além de conectar o cliente e o consumidor ao mercado. Esses dois setores, em particular, apresentaram uma importante liderança ao conectar as pessoas e suas necessidades com o uso da Internet e, juntamente com diferentes estratégias, geraram uma recuperação expressiva em suas finanças.

Brecha Zero: Como os serviços móveis ajudam no processo de digitalização da economia?

Isabel de Ávila: A economia digital tem sido definida como um ecossistema onde convergem várias tecnologias, redes de comunicações, equipamentos e serviços. A Colômbia é um país pioneiro, segundo estudos da CEPAL, na formulação de estratégias e agendas nacionais sobre questões de economia digital.

O uso de serviços móveis, voz e dados, foi essencial para enfrentar os desafios da pandemia. Através deste serviço, empresas, clientes, empresas e usuários puderam se manter conectados. Os serviços móveis foram os aliados das empresas, permitindo que elas estivessem ativas e que suas diferentes operações pudessem ser executadas. Há uma média de 3 celulares por habitante na Colômbia, de acordo com o DANE. É mais fácil acessar a internet, por esses meios, do que por qualquer outro tipo de dispositivo.

Na Colômbia, segundo dados divulgados pelo Ministério do Comércio, aproximadamente 99,3% do setor empresarial são MPMEs e após a pandemia, quase 60% dessas empresas colocaram em prática iniciativas de transformação digital. Embora os dados possam ser promissores, muitos desses esforços digitais visam enviar e receber e-mails ou usar as redes sociais como estratégia de promoção de produtos e/ou marketing de serviços, deixando de lado a utilização de elementos relevantes como o nome em domínios .CO, página web e uso de aplicativos que oferecem um amplo universo de oportunidades para impulsionar seus negócios.

Brecha Zero: Qual a importância de tecnologias como a 5G no desenvolvimento de uma economia digital?

Isabel de Ávila: A geração de comunicações móveis 5G será vital para a economia digital, oferecendo maior velocidade e conectividade mais confiável, precisamente o que exigimos num contexto onde precisamos alimentar uma quantidade massiva de dados o que acarreta a necessidade de contar com capacidade para processar rapidamente e de maneira ultra-rápida.

Um estudo da GSMA mostra que a 5G até 2034 injetará na economia latino-americana, um valor aproximado de 90 bilhões de dólares, oferecendo um maior suporte na conexão de dispositivos que utilizam a internet das coisas, altas velocidades e baixa latência de serviço.

Brecha Zero: Qual o papel das TIC na reconstrução da economia no processo pós-pandêmico?

Isabel de Ávila: As tecnologias de informação e comunicação são de vital importância para a reativação econômica a curto e médio prazo. A apropriação das ferramentas digitais está fazendo com que muitos negócios se recuperem, não só contribuindo para a eficiência organizacional das empresas, mas também para que as decisões sejam tomadas com base em dados estruturados, buscando maior relevância nas soluções adotadas e, consequentemente, melhores resultados.

Brecha Zero: Quais verticais você acha que deveriam aumentar seus esforços para aproveitar melhor a revolução digital na Colômbia?

Isabel de Ávila: Sem dúvida a Educação, é preciso fortalecer os planos de formação e estudo em disciplinas associadas às TIC.  Estratégias que permitam reduzir a exclusão digital atualmente existente nos países da América Latina, para garantir um maior alcance, no acesso a ferramentas como a Internet e uma maior apropriação das tecnologias de informação e comunicação em geral.