80% da população indígena mexicana conta com cobertura de serviço móvel

A digitalização da sociedade requer esforços diferenciados das autoridades para criar condições para seu desenvolvimento. Além dos programas que buscam aumentar o uso de tecnologia em diversos setores, é necessário trabalhar para aumentar o acesso à banda larga móvel no mercado.

Nesse sentido, o Instituto Federal de Telecomunicações do México (IFT) por meio do quarto Diagnóstico de Cobertura do Serviço Móvel em Povos Indígenas, determinou que até 2020 pelo menos 80% dessas populações tenham cobertura de alguma das tecnologias de telefonia móvel presentes no país (2G, 3G ou 4G). Para chegar a esta conclusão, foram cruzados os dados de cobertura do serviço móvel apresentados pelas operadoras perante o IFT e as regiões com presença de comunidades indígenas.

Além disso, foram consideradas as informações específicas de cada um dos povos indígenas. Tomando como referência o que foi estabelecido pelo Conselho Nacional de População (CONAPO), foram consideradas a localização, o idioma, as principais atividades econômicas e seu índice de marginalização. Além de constatar que 80% do total da população indígena conte com algum serviço móvel, concluiu-se que 26 das 66 aldeias, ou seja, mais de 90%, possuem serviço móvel.

Em estados como Guanajuato, Hidalgo, Jalisco, Querétaro, San Luis Potosí e Zacatecas, 97% da população indígena possui cobertura de serviço móvel, o que representa 1.105.843 pessoas. Já em estados como Chiapas, Guerrero e Oaxaca 57% da população indígena possui cobertura de serviço móvel em pelo menos uma tecnologia (2G, 3G ou 4G), o que representa aproximadamente 2.188.058 pessoas.

Em relação à banda larga móvel, até 2020, 63% das localidades com população indígena tinham cobertura 3G, o que representa um aumento de 2% em relação a 2019. Nesta tecnologia, 21% das localidades o serviço é prestado por uma única operadora, em 37% por dois provedores e em 5% por três provedores.

Em relação à 4G, 53% das localidades com presença de população indígena têm cobertura com esta tecnologia, o que representa um aumento de 4% em relação a 2019, sendo que em 18% dessas localidades o serviço é concedido por um único provedor, em 26% por dois e em 8% por três.

Quando analisado pela população indigena, o povo Nahuatl tem 90% de cobertura com pelo menos uma tecnologia. No entanto, 56% das localidades onde está presente são altamente isoladas e apenas 29% da população possui um terminal móvel.

Os Mazahua,  contam com 100% de cobertura móvel, mas 48% de suas cidades são altamente isoladas e apenas 35% da população tem um terminal móvel. Enquanto os Huaves têm cobertura de 97%, 36% de suas cidades são altamente isoladas e apenas 22% contam com um terminal móvel. Situação semelhante ocorre com o povo Otomí, onde 98% têm acesso à cobertura móvel, 52% de suas localidades são altamente isoladas e 37% possuem um dispositivo móvel.

A possibilidade de contar com essas coberturas permite que muitas pessoas iniciem seu caminho na digitalização, que permite a realização de diferentes atividades que serão potencializadas pelo uso da tecnologia. Também oferece a oportunidade de muitos serviços básicos e de atendimento chegarem mais rapidamente à população por meio de soluções como a telessaúde e a teleducação.

A incorporação de uma maior cobertura de serviços móveis, principalmente banda larga móvel, torna-se assim uma ferramenta muito poderosa para que essas comunidades avancem na nova economia global. Mas deve ser amparada por estratégias que busquem conscientizar a população sobre a importância de seu uso.