5G será uma ferramenta para a promoção da economia digital

Entrevista com Ricardo Valenuzela, vice-presidente do Sindicato da Indústria de Telecomunicações da Guatemala

O desenvolvimento da economia digital se acelerou em grande parte dos países latino-americanos com a pandemia Covid-19 . Uma vez superada essa crise, avaliar suas consequências e avançar no desenvolvimento do mundo é um exercício que os setores tecnológicos estão empenhados.

Ricardo Valenuzela, vice-presidente do Sindicato da Indústria de Telecomunicações

Sobre esses temas, o Brecha Zero conversou com Ricardo Valenuzela, vice-presidente da Gremial Industria Telecomunicaciones de Guatemala. Além disso, atua como Gerente Geral da Selecom, empresa da qual é fundador. Valenzuela tem formação em Engenharia Eletrônica pela Universidad de San Carlos de Guatemala, possui Mestrado em Administração de Empresas com Especialidade em Marketing pela Universidade Galileo e Mestrado em Engenharia para a Indústria com Especialidade em Telecomunicações pela Universidade de San Carlos da Guatemala.

Brecha Zero: Quanto as tecnologias de informação e comunicação (TIC) ajudaram a economia da Guatemala a superar as complicações associadas à pandemia?

Ricardo Valenuzela: Consideravelmente, as TICs tiveram um papel determinante para que os diversos setores econômicos não parassem, assistimos a criação de empreendimentos que utilizam aplicativos de troca de mensagens como WhatsApp entre outros, redes sociais como o Facebook, para promover os produtos ou serviços oferecidos. Presenciamos toda uma logística, de motoristas, taxistas que atendiam no despacho desses serviços e produtos, e que utilizavam um dispositivo móvel com acesso à Internet para coordenar suas operações.

Brecha Zero: Quais setores fizeram o melhor uso da digitalização para lidar com os problemas gerados pela Covid-19?

Ricardo Valenuzela: Sem dúvida, o mercado informal foi o primeiro a tirar proveito dos recursos das TIC para gerar atividade empresarial, e posteriormente o mercado formal. Tanto é que o Walmart (na Guatemala) não contava com um aplicativo na web, muito menos com aplicativos para dispositivos móveis para que as pessoas pudessem fazer pedidos por eles, levou alguns meses para reagir e disponibilizar ferramentas digitais para seus clientes conseguirem realizar compras.

Brecha Zero: Como os serviços móveis ajudam no processo de digitalização da economia?

Ricardo Valenuzela: Embora a questão esteja relacionada com a anterior os computadores desktop hoje praticamente desapareceram, os laptops são usados ​​para funções muito específicas e os dispositivos móveis são os reis na solicitação de serviços ou produtos pela Internet, são usados por crianças e idosos e uma de suas maiores utilidades é justamente a compra e venda de serviços e produtos, tanto quem vende quanto quem compra utiliza o celular para iniciar o processo de compra e venda.

Brecha Zero: Qual a importância de tecnologias como a 5G no desenvolvimento de uma economia digital?

Ricardo Valenuzela: A 5G é a tecnologia de acesso móvel de última geração, através dela será possível gerar uma maior capacidade de fluxo de informações para aplicativos como Netflix, jogos online multiusuário, videoconferências (…) todos ficarão muito mais estáveis ​​para dispositivos móveis.

A 5G é a tecnologia da Internet das Coisas, milhões de dispositivos irão se conectar a esta tecnologia, dispositivos industriais em fábricas, dispositivos inteligentes em cidades, dispositivos em residências, a 5G será definitivamente uma ferramenta para promover uma economia digital em muitas verticais de negócios.

Tanto para a 4G quanto para a 5G, o uso de licenças de frequência para essas tecnologias é um problema que não está totalmente resolvido na Guatemala, tem uma grande parte do “espectro de frequência” que não foi liberado para explorar o uso de 4G e padrões 5G. A superintendência de telecomunicações (SIT) da Guatemala pouco ou nada fez a esse respeito.

Entendo que as tecnologias de acesso móvel surgem, se desenvolvem e amadurecem, e na Guatemala nunca as adotaremos.

Brecha Zero: Qual o papel das TIC na reconstrução da economia no processo pós-pandemia?

Ricardo Valenuzela: Nós, tecnólogos, refletimos que, se temos algo a agradecer à pandemia provocada pela Covid-19, por mais irônico que pareça, é que ajudou direta ou indiretamente a promover a importância das tecnologias digitais, muitas indústrias aceleraram a adoção das TIC, já que era a única maneira de manter suas atividades.

A pandemia mudou a maneira como fazemos as coisas e, francamente, não acho que vamos voltar a ser como vivíamos antes da pandemia. Hoje as pessoas preferem uma reunião por Zoom, antes de sair de casa ou do escritório e enfrentar o trânsito denso e intenso. A educação provou que as TIC são seu melhor aliado, as empresas online estão crescendo de forma acelerada. A Amazon previu a vantagem de fazer negócios online e que as outras verticais do negócio estavam ficando para trás, graças à pandemia muitas empresas hoje operam por meio de plataformas na internet.

Brecha Zero: Quais setores você acha que deveriam aumentar seus esforços para aproveitar melhor a revolução digital na Guatemala?

Ricardo Valenuzela: Todas as verticais de negócios, todas as grandes, médias e pequenas empresas devem entrar em um processo de transformação digital, devem pensar em como aproveitar ao máximo o acesso, a funcionalidade e o uso da Internet. Todo Estado ou organização privada, lucrativa ou não, deve pensar em como adotar progressivamente a transformação digital, não é possível que na Guatemala seus cidadãos ainda tenham longas filas para realizar um procedimento em um órgão do governo ou em um município, isso é algo do passado. Não é possível que alguns de vocês sejam forçados a frequentar uma sala de aula onde um professor não está ministrando seu curso com maestria. O teletrabalho continuará a fazer parte dessa revolução digital, ficou provado para muitas empresas que graças a um computador e um dispositivo móvel o trabalhador pode ser produtivo mesmo sem sair de casa.