O ano de 2015 foi um marco para a 4G Americas com a realização de 2 eventos-chave na América Latina que serviram para reforçar os laços de parcerias com vários dos principais analistas da região. O primeiro deles foi o “1º Fórum de Pensadores em TIC da Argentina”, que conseguiu reunir mais de 200 anos de experiência no mercado de telecomunicações argentino nas mãos de 11 especialistas do setor. O evento foi privado, permitindo um diálogo sincero sobre o mercado atual e os obstáculos que precisa superar para estimular a adoção mais rápida de novas tecnologias.

O segundo evento aconteceu no Brasil, onde a 4G Americas organizou o seminário “Future of LTE-Advanced and Beyound to 5G” durante a maior feira e congresso de telecomunicações da América Latina, o Futurecom 2015, realizado em São Paulo. Entre as principais mensagens do evento, pode-se mencionar que, salvo os atrasos, a primeira implantação comercial da 5G no mundo poderá ser por volta de 2020. O evento teve como anfitrião José Otero, Diretor da 4G Americas para América Latina e Caribe, além de alguns dos mais conhecidos analistas e jornalistas de telecomunicações da região. Além disso, contou com a palestra do Secretário Executivo da Comissão Interamericana de Telecomunicações (CITEL), Oscar León.

O evento aconteceu no auditório México do Futurecom 2015. Ali se debateram os diferentes painéis sobre a atualidade das comunicações móveis sem fio nos países latino-americanos, sua importância para o desenvolvimento social e econômico da população, o futuro da tecnologia móvel e os diversos desafios que enfrenta a indústria de telecomunicações.

Durante sua apresentação, Oscar León apontou que a CITEL, entidade que agrupa mais de 120 associados é a ponte para chegar em acordos regionais (das Américas) como proposta frente às conferências mundiais da União Internacional de Telecomunicações (UIT). Além disso, convidou a participar da entidade e auxiliar na identificação de problemáticas comuns e pontos de consenso entre os países da região.

León destacou que 55% da população mundial se encontra atualmente sem nenhum tipo de conectividade, e enfatizou que qualquer plano de banda larga que não for completamente articulado não funciona. Ele comentou ainda que habitualmente os países direcionam seus esforços para conectividade e infraestrutura. Porém, explicou que isto adianta pouco frente à falta de desenvolvimento educacional, acesso à pesquisa e outra série de elementos que não estão sendo utilizados adequadamente. Por este motivo, comentou a importância de se ter um ecossistema desenvolvido. E também que os usuários tenham apropriação do uso da tecnologia.

Quanto à disponibilidade de espectro na região, León destacou que a média atribuída é de 318 MHz, tanto que a liderança é do mercado brasileiro, com 669 MHz alocados para serviços móveis. Mas sublinhou que o problema da região é que as operadoras não têm acesso ao espectro de frequências no momento em que o compram, e há atrasos que são contraproducentes para o desenvolvimento da indústria.

A este respeito, Otero explicou que a quantidade de espectro radioelétrico destinado ao serviço móvel deveria ser maior. Destacou que os blocos devem ser amplos, para que as operadoras possam oferecer um serviço de qualidade. Exemplificou que se pode ter LTE em um canal de 1,4 MHz, porém vai ser mais lento do que seria em um canal de 20 MHz.

Lembrou ainda da necessidade de que exista mais disponibilidade de espectro radioelétrico para poder fazer frente à crescente demanda de conectividade. O discurso também coincide com o do Secretário Executivo da CITEL, ao mencionar a necessidade de blocos de espectro entregues às operadoras já estarem limpos e prontos para essas possam utilizá-los imediatamente. Da mesma forma, Otero acredita que a disponibilidade de espectro proporcionará oportunidades como: aumento do interesse das operadoras de telefonia em lançar serviços móveis; melhoras de rede de dados móveis com emancipação de sistemas de telessaúde, governo eletrônico e tele-educação. Para o futuro também espera-se a utilização da 5G como principal meio de acesso à Internet de alta velocidade e novas aplicações.

A respeito da 5G (IMT-2020), Otero destacou que a nova geração de tecnologias móveis poderia estar disponível por volta do ano de 2020, se não houver demoras no cronograma de definição de requerimentos da UIT. No entanto, disse também que a nova geração deverá coexistir durante vários anos com tecnologias anteriores. Como LTE e LTE-Advanced, apontando que o desenvolvimento e a evolução destas não serão interrompidos pela chegada da 5G, mas pelo contrário, muitas das melhorias planejadas para a próxima geração serão baseadas em tecnologias já implementadas pelas operadoras.

No Workshop “Future of LTE-Advanced and Beyound to 5G” também participaram Mariana Rodríguez Zani, diretora da Convergencia Research e Convergencialatina, Andy Castonguay, analista de M2M da Machina Research, Ignacio Perrone, consultor Sênior da Frost Sullivan, Sonia Agnese, analista da Ovum, Alexandre Riobó, diretor de Regulação para América Latina do Grupo Telefónica, Wally Swain, vice-presidente sênior de Mercados Emergentes da 451 Research, Rafael Junquera, director editorial da TeleSemana; Tina Lu, consultor sênior da Investigação da Counterpoint Research; Juan Gnius, diretor da TyN Media Group, Guillermo Hurtado, analista sênior para América Latina da Pyramid Research, e Orlando Rojas, diretor do portal colombiano especializado em telecomunicações, Evaluamos.