Por José Otero – A América Latina se apresenta como um grande mercado com coincidências culturais, econômicas e sociais que lhes permite desafios similares. Ainda com diferenças pontuais de acordo com o país, a região permite discussões comuns que beneficiam as políticas públicas e estimulam o setor privado a aproveitar o uso das TIC para o desenvolvimento.

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José Otero                   Diretor 5G Americas para a América Latina e Caribe.

Uma dessas características comuns à região é o crescimento que experimentou no que se refere aos acessos de tecnologias sem fio durante os últimos anos, situação que permitiu que os serviços de banda larga aumentem sua penetração nas diferentes populações. No entanto, ainda resta trabalho para difundir junto aos habitantes, gerando dessa forma mais desenvolvimento da economia e da sociedade.

Com a finalidade de conscientizar as pessoas sobre as oportunidades que a região oferece em desenvolvimento da Informação e Comunicação, há cerca de um ano lançou-se o Brecha Zero. Este espaço constitui-se em um blog da 5G Americas cuja finalidade é a divulgação e o debate sobre as diferentes iniciativas que os governos, universidades, organizações não governamentais e a indústria realizam sobre o tema, tornando-o mais importante.

Durante o último ano, o Brecha Zero apostou no intercâmbio de ideias e informações sobre as diferentes iniciativas desenvolvidas para maximizar a utilização das TIC para o desenvolvimento. Para isto, abordaram diferentes artigos que cobriram desde temas como diferentes projetos de telessaúde no Brasil, Governo Aberto no México ou tele-educação no Chile, até a implementação de aplicativos que ajudam a agricultura na Bolívia ou que são destinadas a alertar a população sobre movimentos sísmicos na Costa Rica.

Na busca por gerar a multiplicidade das vozes no blog, foram realizadas diversas entrevistas com entidades que operam na região e apresentados pontos de vista que reforçam a importância das TIC. Opiniões de diferentes setores como órgãos como o Banco Mundial ou a Comissão Interamericana de Telecomunicações (CITEL), até outras mais focadas como a Federación Internacional de la Cruz Roja y la Media Luna Roja (IFRC) ou a Organización Panamericana de la Salud (PAHO). Além do que, convocou-se os principais analistas da América Latina, que apresentaram suas visões sobre as alternativas de Governo Aberto na Argentina, sobre as possibilidades de IoT para dados abertos e de m-governo, entre outros temas.

Os debates produzidos em congressos de diferentes setores também foram temas refletidos no Brecha Zero, entre eles destacaram-se  jornadas sobre educação para nativos digitales e sobre o  uso de dados abertos nos municípios argentinos.  Também refletiu o diálogo em diferentes congressos do setor, como o III Taller de Regulación Regional de ASIET ou o último Futurecom 2016.

No momento do lançamento do Brecha Zero, a América contava com 41% dos acessos móveis latino-americanos utilizando tecnologia 3G, enquanto que outros 3% contavam com acesso de 4%, de acordo com dados da Ovum. Um ano depois, segundo a mesma consultoria, a região conta com 409 milhões de banda larga móvel, das quais 82 milhões pertencem a LTE. A participação de mercado desta tecnologia chegou a 12% na primeira metade de 2016.

O crescimento dos serviços de banda larga móvel confirma que a região mantém uma oportunidade para aumentar o impulso que as TIC podem dar no desenvolvimento socioeconômico de cada um dos países. O aumento da conectividade é uma notícia encorajadora para que possam desenvolver diferentes programas para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, ou os programas promovidos pelos países, como também os que levam adiante o setor privado e entidades autárquicas como universidades e outros órgãos.

Para reforçar este crescimento é necessário que existam políticas com um impacto real por parte das autoridades dos países. Entre as que se sobressaem estão aquelas destinadas a facilitar a disponibilidade do espectro radioelétrico para serviços de banda larga móvel, assim como também menores amarras para o desenvolvimento de redes e a importação de smartphones. Este tipo de medida é fundamental para alcançar uma maior massificação destas tecnologias, que resulta em mais igualdade no acesso às TIC, assim como também no aumento do acesso à educação, saúde, trabalho, cultura e outros.

O compromisso de divulgar iniciativas associadas com a democratização das TIC, e a sua utilização para melhorar a qualidade de vida das pessoas, mantém-se por parte do Brecha Zero ao longo de um ano. Neste sentido, gerou-se uma série de estudos focados na utilização das TIC para o desenvolvimento, Telessaúde foi o primeiro tema relacionado e, no futuro, terá mais títulos relacionados com outras atividades ainda. Assim, o blog caminha em seu propósito de manter-se como um espaço informativo e de diálogo sobre o ecossistema TIC e suas aplicações em políticas de desenvolvimento na América Latina.