Entrevista com Enrique Carrier, Diretor do Carrier y Asociados

A busca pelo fim da exclusão digital na América Latina conta com serviços móveis como principais aliados. As tecnologias de banda larga móvel são particularmente importantes, pois graças a elas pode-se alcançar parte da população que ainda precisa de acesso.

Sobre a importância das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) no desenvolvimento dos países, as iniciativas necessárias para

Enrique Carrier x

Entrevista com Enrique Carrier, Diretor do Carrier y Asociados.

aumentar sua adoção e as oportunidades da região em colocar fim à exclusão digital, o Brecha Zero conversou com Enrique Carrier, fundador do Carrier e Asociados.

Carrier é analista de mercado especializado em Internet, TI e telecomunicações com mais de 20 anos de experiencia no setor tecnológico. Sua carreira profissional esteve centrada como analista em pesquisa e analise de mercado, desempenhando atividades também em outros campos como o jornalismo.

Em sua formação acadêmica consta o titulo de bacharel em Economia e Ciências Sociais da Academia de Poitiers (França) e posteriormente obteve uma licenciatura em Administração de Empresas da Universidade de Belgrano (Argentina). Além disso, foi professor assistente da cadeira de Planejamento Estratégico da Faculdade de Tecnologia da Universidade de Belgrano, e professor no Curso de Pós-Graduação em Marketing na Internet da Escola de Negócios da Universidade de Belgrano, bem como no assunto Marketing na Internet da Universidade de Belgrano. Mestre em Administração de Empresas.

A seguir os pontos mais importantes de uma interessante conversa com Enrique Carrier:

Brecha Zero: De que forma considera que as Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) influenciam no desenvolvimento socioeconômico dos países?

Enrique Carrier: Atualmente as TIC formam uma infraestrutura necessária para o desenvolvimento de uma sociedade moderna, seja do ponto de vista social ou econômico. Assim como no século XIX era a ferrovia, ou anteriormente eram os caminhos, o que permitia mover pessoas ou mercadorias entre cidades modernas, hoje essa infraestrutura é por meio das cidades conectadas.

Neste sentido, é claro que as economias que avançam no desenvolvimento de uma infraestrutura de tecnologia e conectividade terão melhores possibilidades de desenvolvimento social e econômico; enquanto que aquelas que não realizam estes esforços ficaram isoladas. Em outras palavras, dentro da sociedade de conhecimento a conectividade passará a ser uma estrutura básica, mais como a eletricidade, a água etc. Ou seja, as diferenças econômicas e de poder estarão dadas pelo desenvolvimento deste tipo de infraestrutura.

Brecha Zero: Quais iniciativas podem potencializar o aproveitamento das TIC para melhorar a qualidade de vida em cada país?

Enrique Carrier: As inciativas estão relacionadas com as necessidades de cada um dos países. Em geral são aquelas que buscam levar conectividade, seja por meio de infraestrutura ou por meio de promover o acesso aos dispositivos para a população.

Outra das medidas necessárias é levar redes para pessoas com poucos recursos ou de áreas distantes que carecem de acesso. Assim como também melhorar as condições de acesso aos dispositivos que permitem conectar-se.

Um tema que se discute muito é a educação das pessoas no uso das novas tecnologias. É uma questão que me parece importante, mas não fundamental, já que é a partir do acesso aos dispositivos que os cidadãos vão aprendendo de maneira espontânea seu uso. Exemplo desta situação é o uso de aplicações sofisticadas como as financeiras que tiveram sucesso em diferentes mercados da África.

Por sua vez, parece necessário reformular a forma que se educa as novas gerações para prepara-los para o trabalho no futuro. Ou seja, ensinar a buscar informação, discriminar que informação é fidedigna e outras ferramentas necessárias para enfrentar a sociedade de conhecimento.

Brecha Zero: Quais medidas governamentais são uteis para potencializar a adoção das TIC?

Enrique Carrier: A mais importante é a geração de um marco competitivo para que sejam as operadoras privadas a estimular a aumentar a cobertura de serviço. Tanto que o Estado é que pode buscar alcançar a cobertura em áreas distantes ou de pouco interesse para os privados, seja subsidiando as operadoras ou por meio de sua ação direta.

Em concreto, é necessário que se estimulem as concorrências internas no mercado. E sobretudo evitar a intervenção do Estado supõe-se com os setores onde já estão presentes as operadoras privadas, ou seja, que sua presença esteja destinada a cobrir os buracos que o mercado não alcança.

Brecha Zero: Quais mercados verticais (saúde, segurança, trabalho etc) tiveram melhor recepção das TIC?

Enrique Carrier: Os serviços que são fáceis de digitalizar como o banco e o setor financeiro são os que mais avançaram a respeito. Principalmente porque seu produto está diretamente relacionado com a informação.

Outros serviços como a saúde contam com intervenção das TIC para questões internas, administrativas e de eficiência. No momento estão distantes da implementação de questões de alcance massivo como monitoramento que incluam dispositivos conectados no corpo dos pacientes. Em particular, porque para eles é necessária uma infraestrutura muito mais robusta, que permita a conectividade destes dispositivos.

A educação também está distante de uma presença massiva das TIC. É necessário repensar todo o sistema educativo, que atualmente está pensado para a sociedade industrial. Uma vez realizada toda a mudança necessária para planejar novas condições de aprendizagem, para que se adaptem aos processos produtivos que irão demandar a sociedade de conhecimento.

Brecha Zero: Quais iniciativas observa na Argentina para aumentar o uso das TIC na sociedade?

Enrique Carrier: Atualmente estão desenvolvendo várias iniciativas que vão dar resultados a longo prazo, no entanto deve-se considerar que a Argentina é um país com grande extensão territorial, baixa densidade populacional e com escassos recursos econômicos.

Existem iniciativas positivas que buscam desenvolver a rede de fibra óptica nacional que chega a cada uma das cidades e permite chegar com operadoras locais ao usuário final. Também outras que oferecem conectividade às escolas. Assim como outras menos conhecidas que são interessantes, no entanto que necessitam mais tempo para que acabem sendo refletidas.

Brecha Zero: Quais avaliações faz da implementação do plano Argentina Conectada?

Enrique Carrier: Durante o último tempo buscou-se coordenar o programa, dando maior importância. Pode-se destacar como positivo que existe tanto por convicção do governo atual, como por demanda para poder entrar na OCDE, objetivos concretos e mensuráveis neste plano.

É importante que existam metas para este tipo de plano, metas que podem ser quantificáveis. Em particular porquê dessa maneira torna-se controlável.

Brecha Zero: Quão importante é para as tecnologias sem fio a conectividade de um país?

Enrique Carrier: Os celulares são centrais para aumentar a conectividade, não apenas porque é uma tecnologia que se desenvolve de maneira mais rápida em comparação às redes, mas também porque cada dispositivo tem chegado a cada um dos povoados, e sua forma de uso marca uma mudança no acesso à internet.

Os móveis são uma ferramenta necessária para conectar a grande parte da população que até o momento não está conectada. Ou seja, que o dispositivo que estará encarregado de diminuir a exclusão digital será o celular, ou o smartphone.

Os dispositivos móveis serão a base de acesso da população para a maioria dos serviços relacionados com o mundo digital. E por outro lado, os serviços digitais deverão ser pensados primeiro em móveis e depois em qualquer outro suporte.

Brecha Zero: Qual importância tem o desenvolvimento de uma indústria de aplicativos moveis?

Enrique Carrier: Evidentemente é importante porque estão ligadas à revolução digital. Seu desenvolvimento conta com a vantagem de que não necessita de uma injeção de grandes capitais, pode-se desenvolver com recursos humanos que podem estar distribuídos em diferentes locais.

No entanto, é fundamental que exista uma preparação desse material humano do ponto de vista educativo. Como explicávamos anteriormente, é necessário contar com planos educativos que preparem os jovens para trabalhos relacionados com a revolução digital e a sociedade de conhecimento.