Entrevista com Rafael “Lito” Ibarra, Secretário do CasaTIC El Salvador

A incorporação de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) a diferentes setores permite que os países melhorem a qualidade de vida de seus habitantes. Assim como é um motor para estimular o crescimento econômico e a produtividade de diferentes áreas da economia.

Rafael “Lito” Ibarra, secretário da CasaTIC.

Sobre estes benefícios, o Brecha Cero conversou com o engenheiro Rafael “Lito” Ibarra, que é secretário da Câmara de Tecnologia da Informação e Comunicação de El Salvador (CasaTIC). Ibarra é conhecido como o pai da Internet de El Salvador, ele é o presidente fundador do SVNet (registro de nomes de domínio SV). Ele também participou de diferentes empreendimentos de natureza socio tecnológica. Ele também colaborou com empresas privadas de tecnologia e telecomunicações, instituições estatais, entidades acadêmicas e organizações não-governamentais.

Ibarra é membro fundador da LACTLD e da RedCLARA em nível internacional, da Associação SVNet, Infocentros, Associação Conexônica, RAICES, Associação Fab Lab, Clube TIC e CasaTIC, em nível nacional, além de outras organizações e empresas privadas ligadas ao ambiente tecnológico, como TBox, Pagadito, INNBox e MIDO. Ele foi ou é membro dos conselhos das organizações LACTLD, RedCLARA, LACNIC e ICANN.

Brecha Zero – Como as TICs influenciam o desenvolvimento socioeconômico de El Salvador?

Rafael Lito Ibarra – Como em qualquer país, as TIC podem e devem influenciar uma medida importante no desenvolvimento socioeconômico de nosso país. No entanto, embora pelo menos desde 1998, tenham sido feitos esforços coordenados entre os vários setores, fornecendo ideias, planos e abordagens estratégicas a serem considerados por outros setores, particularmente os governos de cada termo não o consideraram como um setor para impulsionar como prioridade. Sendo assim, o impacto das TIC no progresso salvadorenho ainda é uma questão pendente.

Brecha Zero – Qual a importância do fim da exclusão digital no desenvolvimento do país?

Rafael Lito Ibarra – Para um país como El Salvador, com poucos recursos naturais, muitos problemas sociais, ameaças ambientais e tamanho pequeno, acabar com o fosso digital deve ser um objetivo de suma importância, e as políticas públicas devem refletir isso dessa maneira. Embora tenha havido algumas iniciativas interessantes e visionárias, como a Infocentros, que trouxe a Internet para o interior do país e treinou mais de 300.000 salvadorenhos no uso das TIC, falta de continuidade, coordenação e, acima de tudo, vontade política, impediram que a lacuna continuasse a fechar.

Brecha Zero – Quais medidas você acha que o governo de El Salvador deveria adotar para reduzir o fosso digital?

Rafael Lito Ibarra – Coordenar e orientar os esforços e disposição de todos os setores, empresas, organizações e academias que estejam dispostos a unir esforços na mesma linha, neste ponto bastante óbvios, que possibilitem aproveitar os talentos e a boa disposição de todas as pessoas dispostas a contribuir com trabalho, ideias e cooperação para objetivos similares. Alocar uma parte relevante de seu orçamento público a esses programas, reforçando o desenvolvimento de aplicações e serviços governamentais por meios digitais, para que a cultura digital salvadorenha possa crescer.

Brecha Zero – Dos diferentes mercados verticais (saúde, segurança, trabalho, etc.) quais tiveram melhor desempenho na implementação das TIC em El Salvador?

Rafael Lito Ibarra – Os serviços financeiros, incluindo as aplicações da Fin Tech, estão em pleno desenvolvimento, assim como os serviços em geral. Aplicações com Pagadito (plataforma de pagamento) e Hugo (serviços de entrega de alimentos e outros), são dois serviços cujos aplicativos de computador foram projetados e construídos em El Salvador, já tendo saído de nossas fronteiras. Existem outras aplicações, mais específicas, por exemplo, na companhia aérea Avianca, cujos serviços e suporte de informática foram fornecidos por El Salvador há algum tempo. Algumas indústrias manufatureiras, apesar de seu produto estar com baixa tecnologia de informática (maquila de roupas, calçados, alimentos e outros), também fizeram algum progresso.

Brecha Zero – Quais iniciativas o CasaTIC realizou para incentivar a incorporação das TIC no cotidiano dos cidadãos?

Rafael Lito Ibarra – A CasaTIC assinou vários acordos de cooperação com diferentes entidades nacionais para apoiar e participar ativamente em diversos projetos e iniciativas que buscam desenvolver a cultura digital em nosso país. Entre eles, um MdE com o Projeto “Educação Superior para o Crescimento Econômico” da USAID, que por 5 anos tem vinculado universidades com o setor privado em certos setores, incluindo TIC, e o CasaTIC tem sido seu interlocutor e parceiro principais neste setor; apoio e trabalho conjunto com ministérios e deputados para a formulação de leis em assinatura eletrônica, comércio eletrônico, faturamento eletrônico, entre outros; desenvolvimento e proposta à USAID do projeto CDS (Software Development Centers) em conjunto com organizações e universidades, para capacitar jovens no desenvolvimento de softwares e outras ferramentas; etc.

Brecha Zero – Qual a importância das tecnologias de banda larga móvel para o desenvolvimento de iniciativas do CasaTIC?

Rafael Lito Ibarra – A grande maioria das propostas tecnológicas, tanto do setor privado nacional como internacional, universidades, sociedade civil e instituições públicas, conta para sua implementação e implementação bem-sucedida com uma largura de banda em comunicações digitais em todo o país. e com o mundo, isso é confiável, rápido, seguro e aberto. Todos os avanços nessa área são importantes e relevantes para o país, e o CasaTIC os apoia diretamente.

Brecha Zero – Quanto a banda larga móvel contribui para o desenvolvimento de El Salvador?

Rafael Lito Ibarra – A penetração da internet no país permaneceu em torno de 30% por muito tempo. As estimativas mais recentes nos aproximam de 50% ou mais, e isso se deve à proliferação e ao acesso relativamente fácil à conectividade móvel. Nosso país, como já foi dito, nunca propôs como política pública, aumentar a penetração e a amplitude da conectividade dos cidadãos em todo o país. Esse avanço foi possível devido a fatores como a queda nos preços de dispositivos e custos de comunicação, embora ainda sejam altos; maior desenvolvimento de aplicativos locais; oferta de serviços e possibilidades que permitam aos empreendedores de todos os portes e níveis incorporar essas TICs em suas atividades empresariais.

Brecha Zero – Como você acha que El Salvador está posicionado para a implementação do 5G?

Rafael Lito Ibarra – Dada a concorrência entre provedores privados, algumas subsidiárias das maiores do mundo, é possível que, se forem alcançadas as condições de mercado, fiscais e comerciais corretas, seja alcançado progresso, embora, como é Logicamente, o pequeno tamanho de nosso mercado total não constitui, por si só, uma atração comercial.