Futurecom Special 2019 – Os diferentes encontros propostos pelo setor de telecomunicações permitem, entre outras coisas, conhecer as posições que as autoridades da região têm em busca de maior conectividade em seus países. Entre essas reuniões, destaca-se o workshop da 5G Americas Wireless Technology Summit “Desafios enfrentados pela 5G na América Latina”, que ocorreu durante o Futurecom 2019 em São Paulo, Brasil.

A reunião contou com a presença de Virginia Nakagawa, vice-ministra de Comunicações do Ministério de Transportes e Comunicações do Peru, que em sua apresentação como palestrante destacou os esforços feitos pelo governo de seu país para desenvolver a tecnologia 5G. Nesse sentido, o funcionário foi claro ao expressar que “o Estado não será uma barreira no desenvolvimento da 5G no país”.

Nesse sentido, a vice-ministra destacou que o governo do Peru trabalha duro para proteger o desenvolvimento do investimento privado. Ela também disse que o país está disposto a disponibilizar todos os recursos necessários para o desenvolvimento da 5G através do setor de telecomunicações.

A funcionária argumentou que as autoridades do país seguem uma política estadual em que a conectividade é um setor estratégico e que essa política não depende de mudanças no governo. Assim, destacou o desenvolvimento da rede de backbone de fibra ótica, que permite que os serviços sejam levados para as áreas rurais ou longe dos grandes centros urbanos do país.

Nesse contexto, explicou ainda que a rede de backbone possibilitava a conectividade com diferentes entidades públicas nos setores de educação, saúde e segurança. Políticas que, além de gerar melhorias no trabalho diário desses órgãos estaduais, melhoraram a conectividade dos usuários que vivem nas áreas circundantes.

Da mesma forma, destacou o projeto “Operadora de infraestrutura rural móvel”, que permite a cobertura de serviços em áreas remotas das principais cidades. Assim, são desenvolvidos modelos de negócios que se adaptam às necessidades dos habitantes dessas geografias.

Outro ponto destacado por Nakagawa foi o trabalho realizado em relação ao espectro radioelétrico. Nesse sentido ressaltou a importância do pedido de frequência para 5G, bem como a criação de um mercado secundário para o espectro de rádio e refarming. Ela explicou que mais de 500 MHz foram identificados no mercado de serviços 5G na faixa de 3,5 GHz e que está trabalhando para que cada operadora possa contar com mais de 100 MHz adjacentes para desenvolver um melhor modelo de negócios.

A vice-ministra também explicou o progresso alcançado na resposta à implantação da infraestrutura. Para isso, destacou os benefícios das regulamentações de infraestrutura ativa e passiva, que considerou adaptadas às melhores práticas em nível internacional. E destacaram que, assim, são consolidadas como estratégias necessárias para aprimorar a adoção da 5G no mercado.

Por fim, a vice-ministra explicou que, dentre os desafios que enfrentarão no futuro, a harmonização do espectro radioelétrico se destaca para que esteja disponível para desenvolvimentos 5G. Mas ela estava otimista ao notar que nos dois primeiros anos de gerenciamento 100% das metas propostas foram alcançadas, portanto, esperam resultados semelhantes para os dois anos restantes.

Em resumo, o discurso de Nakagawa deixou clara a intenção do governo peruano de trabalhar em políticas que busquem incentivar o investimento na busca pelo desenvolvimento da 5G. A estratégia que o país pretende seguir busca criar um clima adequado para a indústria investir no desenvolvimento da nova geração de banda larga móvel.