Entrevista com Christiams Valle Gomez, Chefe de Prevenção de Riscos Operacionais da Telefónica do Peru

As Tecnologias da Informação e da Comunicação apresentam diversas opções para melhorar as condições sociais e econômicas dos países. Em cada um dos mercados da América Latina sua influencia varia desde a aplicação em saúde, educação, agricultura ou sistema bancário, melhorando significativamente a experiencia do usuário.

Christiams Valle Gomez, Chefe de Prevenção de Riscos Operacionais da Telefónica do Peru

Considerando estes benefícios, a conectividade e a banda larga móvel proporcionam uma série de benefícios para os cidadãos de cada um dos países. Esta perspectiva ofereceu Christiams Valle Gomez, Chefe de Prevenção de Riscos Operacionais da Telefónica do Peru. O executivo possui quase 20 anos na operadora, com mais de 10 anos voltados em riscos operacionais.

Valle Gomez é formado em administração de empresas pela Universidad de Piura e possui MBA em Administração e Gestão de empresas pela EUDE Bussines School. Sobre as condições do mercado do Peru e seu aproveitamento das TIC conversou com o Brecha Zero:

Brecha Zero: Quais são as iniciativas realizadas pela Telefónica do Peru no que diz respeito ao uso das TIC para o desenvolvimento?

Christiams Valle Gomez:  Existe um relatório na Câmara de Comércio de Lima, do ano de 2017, que estima que o crescimento da banda larga pode gerar 250 mil até o final de 2020. E que o crescimento constante contribui com 1,4 ponto do PIB, o que mostra ser uma questão social, que a banda larga pode gerar não apenas vagas de emprego, mas crescimento direto do país. Existe até um estudo da Ericsson, que discorreu sobre o impacto total do PIB da América Latina no crescimento da banda larga.

Banda larga móvel, acima de tudo. Ou seja, a ênfase nos negócios relacionados que são criados. A geração de empregos relacionados ao desenvolvimento de dados, ao desenvolvimento de tecnologia. À facilitação de alcance aos serviços com os quais a população pode acessar com maior facilidade. As economias que o Estado pode gerar ao se fazer presente, o que é um grande problema na América Latina, a presença do estado nos lugares mais distantes.

Na América Latina, a maioria dos países tem problemas para alcançar as áreas mais remotas, das áreas muito mais rurais, então as TIC e o uso de banda larga móvel geram essa força.

Brecha Zero: E falando precisamente da Banda Larga Móvel, o que pode contribuir para os mercados da região em termos socioeconômicos?

Christiams Valle Gomez: É definitivamente a presença do Estado. O poder de ter serviços, algo que anteriormente era muito complicado, muita corrupção, há programas sociais que de repente você viu que havia pessoas que precisavam e estavam sendo beneficiadas, porquê anteriormente não havia como verificar se estava atingindo precisamente as pessoas que mais precisavam. A banda larga móvel permite uma série de validações, validação biométrica, algum tipo de aplicativo, que permite investigar ou interromper essa frente muito latino-americana que tem a ver com a corrupção associada à ajuda social.

Brecha Zero: Dos mercados verticais no Peru, quais deles fizeram melhor uso da banda larga móvel?

Christiams Valle Gomez: Na verdade, a banda larga móvel tem um crescimento muito forte, especialmente no setor bancário. Bancos no Peru são um problema sério, nós temos um sistema bancário que não chega a 30% da população, então nós temos uma economia informal de cerca de 70%. Sendo assim, o mobile banking está gerando um canal importante para as pessoas começarem a usar, ou formalizarem seu dinheiro e renda com essa tecnologia.

Brecha Zero: Quais são as medidas que o governo peruano deve adotar para que as empresas possam aumentar sua oferta de banda larga móvel?

Christiams Valle Gomez: No Peru temos um grande problema com a questão da instalação de antenas, a Colômbia tem, outros países também têm, e isso ocorre por que as licenças relacionadas à implantação de antenas são muito descentralizadas. Assim, o prefeito de uma cidade tem o poder total de proibir a instalação de uma antena, enquanto que um governo muito mais corporativo poderia ser criado e ter um ministério de tecnologia, como a Colômbia, por exemplo, que expediria esse tipo de licença, esse tipo de progresso é mais centralizado pelo Estado. Ou seja, a existência de uma política de Estado para não ficar à mercê da decisão de quatro senhores feudais que fazem e desfazem o que precisa ser feito.

Brecha Zero: Que benefícios você vê que a IoT pode trazer para o Peru?

Christomas Valle Gomez: Na verdade, o tema da Internet das Coisas ainda é incipiente, ainda apresenta um crescimento bastante lento. A parte da saúde que está sendo muito explorada, mas não particularmente no Peru. O Peru ainda tem uma lacuna relativamente grande no desenvolvimento de tecnologia, aplicações no dia a dia, mas acho que há uma janela muito importante, há muitas incubadoras hoje que estão gerando startups de pessoas muito criativas, de muitos empreendedores. O Peru é um país de empresários, então há uma oportunidade.

Brecha Zero: Como você acha que os hackathons ajudam as TICs a ajudar o desenvolvimento dos países?

Christiams Valle Gomez: Eu acho que, na verdade, o que eles fazem é agregar inteligência, e concentrar iniciativas, a Wayra é o exemplo mais importante nesta caso, é a  incubadora de start ups da Telefónica , e já estão contribuindo não só com a questão de benefício econômico das empresas que fazem parte da iniciativa mas também muito orientada às pessoas. Acredito que as telecomunicações tenham como principal obrigação transformar a vida das pessoas.

Brecha Zero: Nesse sentido, o que você acha que o 5G pode contribuir?

Christomas Valle Gomez: Definitivamente na possibilidade de gerar uma quantidade maior de dados em uma velocidade maior e usando inteligência artificial, e todas as tecnologias que hoje em dia com as redes atuais que temos, não seria tão fácil torna-las acessíveis.

Brecha Zero: Qual é o mercado vertical que pode aproveitar melhor essa contribuição da 5G?

Christiams Valle Gomez: Especialmente na área de proteção de dados, que é uma questão muito importante dentro dos Estados Unidos e em toda América Latina, proteger as informações das pessoas. Porque definitivamente ter proteção inadequada, e mais a questão de capacidade reduzida, gera um problema maior ainda. Assim, a 5G proporcionará uma maior velocidade e poder de dados, que, combinados com uma cibersegurança completamente sólida, proporcionarão um viés superior.