Cobertura Especial Futurecom 2019 – A implantação da nova geração de tecnologias de banda larga móvel, ou 5G, trará uma série de oportunidades para impulsionar as economias de diferentes mercados. No entanto, para que essa revolução digital seja explorada com eficiência, é necessário que as condições de produtividade e regulamentação de todos os países latino-americanos também mudem.

Estes temas foram debatidos durante o 5G Americas Tecnology Summit “Desafios Enfrentados pela 5G na América Latina”, durante o Futurecom 2019 em São Paulo, Brasil, onde foi realizado o painel sobre América Latina. O painel foi moderado por Rafael Junquera, co-fundador e diretor editorial do Telesemana.com e participou: Andrea Catalano, jornalista do iProfesional e da Rádio CNN da Argentina; Gerardo Flores, consultor independente e ex-senador do México; Alejandro Prince, Presidente da Prince Consulting da Argentina; e Rodrigo Ramires Pino, Presidente da Câmara Chilena de Infraestrutura Digital e ex-Ministro do Chile.

Segundo Flores, a 5G pode transformar-se em uma incentivadora das distintas industrias verticais da região. Assim, reforçou que outras tecnologias que são parte do ecossistema, como Internet das Coisas (IoT) podem ganhar em competitividade incentivando a ciência e a tecnologia, e potencializando o mercado de trabalho.

Em paralelo, Alejandro Prince, reforçou que a 5G será estratégica para o desenvolvimento da região. Ainda destacou que é preocupante o baixo investimento em ciências e tecnologia que existe nos diferentes países da América Latina, e que além disso, não existe uma ideia de como explorar este setor de forma produtiva. Explicou que faz falta uma troca de regime político regulatório para poder aproveitar os avanços da revolução digital.

Por sua vez, Catalano reforçou que é necessário que o setor de telecomunicações se abra para discussões com outros veículos verticais da economia. Explicou que é necessário que se debata a transformação digital com outros setores produtivos para poder potencializar a produtividade dos diferentes mercados. E concluiu que a América Latina necessita que troquem os sistemas produtivos para atender as demandas sociais que existem nos distintos países.

Tanto que Ramires Pino advertiu que o desenvolvimento da 5G poderia perpetuar as desigualdades na região. Explicou que na América Latina não existe um giro no modelo de negócios, e que enquanto seguem buscando adaptar-se às novas tecnologias, os esquemas produtivos antigos não vão conseguir resultados que desenvolvam os mercados. Assim, exemplificou que na região adotaram as novas tecnologias, mas não pretendem reduzir a desigualdade, por esses motivos é necessário aplicar maior inteligência ao setor para alcançar essa meta.

Por sua vez, quando debateu sobre o papel dos reguladores para potencializar a adoção da 5G, Flores reclamou que é necessário que estes órgãos realizem esforços para colocar de forma mais rápida e eficiente o espectro nas mãos das operadoras. E ressaltou que também é importante que as licitações não tenham fins arrecadatórios.

Coincidentemente, Prince sugeriu uma troca de visão por parte dos reguladores. Reforçou que é necessário regular plataformas em lugar de serviços. O consultor pediu uma mudança de paradigma pelas administrações ao regulamentar o setor de telecomunicações.

Ao passo que Rodrigues Pino concordou que a região possui uma estrutura reguladora projetada para serviços de telefone fixo. E ressaltou ainda que a Internet deve ser considerada como uma lei pública básica, imitando o caso do México, onde é considerado um direito humano desde a última reforma constitucional naquele país. Finalmente, ele encerrou explicando que o espectro de rádio não pode ser pensado para fins fiscais.

O debate do painel “5G na América Latina” focou, assim, em como utilizar a 5G para o desenvolvimento da região. E a principal conclusão foi a busca pela atualização dos marcos regulatórios e produtivos, com foco na melhoria das condições dos diferentes mercados verticais que compõem o ecossistema digital.