Cobertura especial #5GLatam – Sempre que uma nova tecnologia chega ao mercado, as discussões giram em torno de quais serão seus modelos de negócios, suas aplicabilidades e de qual será o momento do desenvolvimento de novas redes. Em ainda, outra questão muito importante é de qual maneira a nova geração de banda larga móvel ajudará a melhorar as condições de vida das pessoas.

Estes tópicos foram debatidos no evento 5G &LTE Latin America 2019, que aconteceu no Rio de Janeiro, no Brasil. Participaram do encontro vários representantes do setor de telecomunicações da região, e o foco foi o desenvolvimento da 5G, incluindo debates sobre oportunidades, modelos de negócios e condições necessárias em cada um dos mercados para que a nova tecnologia se desenvolva.

O Vice-Presidente da 5G Americas para América Latina e Caribe, Jose Otero, em sua apresentação como Keynote Speaker sobre “5G Proof of Concepts” elencou detalhadamente os benefícios, necessidades e oportunidades da 5G para alavancar o desenvolvimento da terceira rede global da tecnologia, lembrando que sua implantação já aconteceu no Uruguai. A palestra começou com uma projeção de dados da Ovum, que espera que em 2022, existam 500 milhões de acessos na região.

Otero destacou que atualmente o mercado não conta com muitas oportunidades de crescimento neste sistema de um dispositivo móvel por pessoa, já que, em sua maioria os mercados já alcançaram seus pontos de saturação. No entanto, ainda existe margem para o crescimento em conectividade de diferentes dispositivos inteligentes, que por meio de aplicativos diversos apresentam uma oportunidade para que as operadoras possam seguir crescendo no setor.

Por outro lado, também destacou que para que esta evolução tenha um desenvolvimento positivo nos diversos países é necessário que a indústria conte com mais espectro radioelétrico. Isto permitirá realizar um serviço com melhor velocidade de acesso e menor latência, que permita que as aplicações de Internet das Coisas (IoT) se tornem mais sofisticadas. Da mesma forma, a ampliação da disponibilidade de espectro é fundamental para que os serviços LTE tenham um desempenho correto.

No caso da 5G, Otero destacou que a tecnologia quebra o paradigma de acesso, no qual os objetos serão o centro dos serviços. Neste sentido, espera-se que em um mercado maduro, a cada 1 quilometro quadrado exista cerca de 1 milhão de dispositivos conectados, situação que irá demandar maior capacidade de espectro para que a IoT possa se dar de forma eficiente. Este novo cenário será essencial para a corrida da economia digital, onde a 5G será o grande dinamizador.

Para finalizar, Otero reforçou que na região já aconteceu a implantação de uma rede 5G. Neste sentido, explicou as condições de desenvolvimento levadas adiante no Uruguai, e antecipou que no decorrer do ano ao menos outra rede de quinta geração estará disponível em um mercado da América Latina.

Um dia antes, Otero também havia participado do painel “5G as a Gamer Changer”, moderado por Eduardo Tude, Presidente da Teleco. O painel contou com a participação de Martha Romero, CTO da Avantel (Colômbia), e de Carlos Alberto Santos Camardella, Technology Evolution Consultant da Claro. Entre os pontos coincidentes destaca-se que a 5G propõe uma nova experiencia focada na economia digital.

Outra questão importante da qual concordaram dois panelistas foi de que a 5G será uma potencializadora da IoT e da automação dos diferentes sistemas produtivos. Também reforçou que é extremamente importante para o desenvolvimento de diferentes mercados verticais, dos quais destacam-se o automotivo, o energético, o do minério e o das cidades inteligentes.

Ou seja, os participantes do painel concordaram que a 5G tem como objetivo aumentar a produtividade dos diferentes atores do setor da economia, e que deve melhorar as condições de vida dos habitantes.

Em suma, a conclusão dos três especialistas foi de que a LTE é uma tecnologia que terminará completando a 5G. Igualmente analisaram os desenvolvimentos massivos da 5G, que serão vistos na região durante os próximos 4 ou 5 anos, quando os smartphones alcançarem as escalas necessárias para ter valor acessível para os usuários. Em conclusão, Otero reforçou que espera que assim como o Uruguai já implementou seus serviços, as demais operadoras da região deverão seguir o exemplo com lançamentos para os próximos anos.

O encontro realizado no Rio de Janeiro contou com o lançamento da 5G no Uruguai como um primeiro passo para o desenvolvimento da tecnologia na região. No entanto, os participantes destacaram a importância da disponibilidade de acesso e redução das questões burocráticas para a construção de infraestrutura como mecanismos que as autoridades devem levar adiante para permitir estes desenvolvimentos.